Nossos Poetas

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Do Verbo Passar


Cumprimento a quem passa

Com dedos em movimento, o corpo em movimento,

Sem deixar rastros de fantasias.

Meus cumprimentos são despropositados e sem nada

Como esta cidade sem cor

Como estas ruas desvairadas.

A diferença é a minha cabeça

O espírito que ronda meus eternos pulsos de dor

Minhas calças coloridas e minhas botas rasgadas.

Cumprimento a quem passa inevitavelmente cego

Inevitavelmente alegre

Inevitavelmente ansioso, como quem busca tábuas de salvação.

Esta cidade é meu teto hoje

Não quero muito este teto que desaba a cada dia

Que me sufoca e que me afoga.

Quero um lugar de descanso -se bem que nunca encontrei –

Pela minha própria natureza de ser, mas quero.

Vou navegando até chegar ao meu mar

O mar das coisas que insisto em sonhar.

Um mar entre você e eu entre nós entre todos os outros

Entre o nada e nenhuma coisa.

Entre dormir e acordar entre esperar entre esperar

Como quem senta no alpendre da casa

E vê o tempo passar.


(Sumário).

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