Olhando a Cidade

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MIRANDO

Aqui onde moramos despropositadamente tem um mirante. Dá pra vê a praça e os seus movimentos. Algumas árvores dão um tom especial ao lugar e os acontecimentos são muitos, como todo lugar que cresce em suas novas e velhas contradições.

Logo perto tem um ipê roxo, precocemente em flor a chamar a atenção.

De manhãzinha o carro do lixo a recolher um pouco da alma das casas em sacolas plásticas.

De manhãzinha temos ouvido os relatos de vizinhos que seguidamente tem sido assaltados – cedinho – ou roubados por jovens delinqüentes.

De manhãzinha presenciamos um bando de urubus a mexer no lixo acumulado, em busca da comida que sumiu na mata, porque a mata sumiu e só restou eucalipto. Todos os dias o bando cresce e assusta a todos nós.

Assim como também cresceram a diversidade e o números de pássaros urbanos: se antes eram aqueles pequenos pardais, hoje vemos sabiá; muito bem ti vi; um pássaro da cabeça vermelha que não sei o nome; muitos pombos e por aí vai…. Todos em busca do alimento que a floresta lhes dava e que foi rareando. Sinais de um progresso nefasto a espantar homens e bichos e a aniquilar identidades.

Na praça à noite vemos muitos jovens afoitos em sua juventude, disputando os destinos; claramente dá pra perceber o comércio da droga residual, que em sua maioria esses jovens é pobre e sem trabalho, nem freqüentam escola, nem tem motivos para amar a sua casa.

Aqui onde moramos tem muita criança bonita e divertida; vemos como elas se juntam e brincam com intensidade. Dentre elas, estão as nossas filhas.

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