Os bandidos ocultos

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Existem tantos tipos de bandidos, não é mesmo?

Se fosse simples de classificar, poderíamos dizer que basicamente temos aqueles pobres que são vítimas de uma realidade injusta e cruel, que às vezes roubam simplesmente por não ter outra opção, esses são mau vistos pela justiça – porque são pobres e não têm dinheiro pra comprar os “homens da lei”.

Temos também um outro caso, daqueles que têm comida na mesa todos os dias, têm dinheiro e condição para estudar, ter um trabalho dígno… mas mesmo assim entram para a vida do crime. Talvez eles querem se enriquecer mais rápido ou simplesmente gostam da “emoção” de roubar. E para estes a justiça faz vista grossa – porque o seu dinheiro podre corrompe os homens.

Mas depois de tentar classificar toda essa bandidagem me restou uma dúvida… bandido mesmo é aquele que mata pra comer ou aquele que deixa o outro passar fome?! “Um criminoso é um indivíduo que viola uma ou mais leis ou regulamentos”.

Constituição da República Federativa do Brasil, Art. 227: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” (Grifo nosso)

Quantas crianças e adolescentes nós não vemos passando fome, sendo empurrados para ao crime ou à prostituição como opção última de subsistência? Falha o Estado, falha a família e falha a SOCIEDADE. Os problemas dessa natureza que passam aqueles à nossa volta são também problemas nossos. Se um indivíduo joga comida fora, enquanto o vizinho passa fome, o bandido é aquele que esbanja e não aquele que é obrigado a roubar para não morrer de fome.

Art. 7º: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

[…]

I – relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;

II – seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;

III – fundo de garantia do tempo de serviço;

IV – salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

[…](Grifo nosso)

São 34 ítens, por isso não registrei todos. O importante é um detalhe ignorado pelo poder público e pela sociedade em geral. O detalhe é aquele que está em negrito: segundo a Constituição, qualquer um que vise à melhoria de sua condição social deveria ter os seus direitos respeitados, oferecendo-lhe a possibilidade de trabalhar e sustentar a sua família de maneira dígna. Eu me pergunto: será que os mais de 2 milhões de desempregados (somente no Brasil) simplesmente não visam à melhoria de sua condição social? Será que todos os 20 milhões de trabalhadores brasileiros têm todos os seus direitos respeitados? Eu duvido muito.

Quando falha o poder público, cabe à sociedade civil reparar os danos. 10% da população mundial vive com 90% da renda, enquanto apenas os míseros 10% da renda total restante é dividida entre a maioria esmagadora da sociedade. Apenas um quinto da população mundial se alimenta 3 vezes ao dia. Várias outras estatísticas tristes poderiam ser expostas para dizer que o mundo passa fome. Enquanto isso, o que fazem os grandes detentores de poder para reverter a situação? Nada. Simplesmente exploram cada vez mais para se tornarem cada vez mais ricos. E essa riqueza toda pra quê?! Será que ninguém se comove com a miséria? Será que eles realmente se deitam todos os dias sem nunca pensar que poderiam colaborar para que não exista tanta pobreza no mundo?

O que fazemos cada um de nós para melhorar essa situação? Bandidos não são apenas aqueles que matam, roubam, estupram, sequestram, etc. São bandidos também aqueles que, se eximindo de uma responsabilidade social, deixam os miseráveis largados à própria sorte para morrer de fome. São bandidos aqueles que poderiam ajudar e nada fazem.

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