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Sentimento do Mundo

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A Poesia de Cyro de Mattos

Nascido em Itabuna, na zona cacaueira da Bahia, o poeta Cyro de Mattos (1939-) tem-se dedicado à tarefa de converter em versos a observação de pessoas, lugares e histórias de sua região, a mesma que já produziu escritores como o poeta Sosígenes Costa e os prosadores Jorge Amado e Adonias Filho.
Sua poesia portanto traz a marca e a memória das “terras do sem fim”.Jornalista, Cyro de Mattos trabalhou na imprensa diária carioca e colaborou com diversas publicações literárias.
Entre livros de crônicas, contos e poesia, já publicou mais de 20 títulos.
Conhecemos este poeta quando fomos realizar um espetáculo musical em Itabuna, em 1994 no Centro de Cultura Adonias Filho; ao ouvir a nossa música ele nos convidou a ir em sua casa e conversar sobre a cultura regional. Ele foi motivado também pelo fato de ter havido um “problema burocrático” para a nossa apresentação no Centro de Cultura da cidade: a manutenção na iluminação cênica comprometia o seu manuseio e havia uma “restrição” para o seu uso. Fizemos o show com luz improvisada. Depois do espetáculo realizado ele foi nos pedir desculpas. Em meio a tudo isso, sua poesia se tornou referencia para o Viola de Bolso.
O poema abaixo foi extraído do livros Cancioneiro do Cacau (2002).

EMBARQUE

O que deixo:verde solidão da raiz ao cabelo.

O que deixo:vértebras do tempo, desigual fermento.

O que deixo:bala no verão, cobra no inverno.

O que deixo:gemido e agulha ensacando ventos.

O que levo:frutos de ouro romaria e desterro.

O que levo:sonhos e erros do horizonte maciço.

Da árvore e seu resumo
os vícios do mundo
medos e sonhos
no velho pensamento.

(Cyro de Mattos).

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