Da madureza do tempo

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Tempo de chuva

É tempo de chuva por aqui. Chuva que anuncia o verão. Mas é que as estações mudaram de tempo e de lugar, ante os desequilíbrios provocados pela agressão à natureza. Havia dias que a seca inclemente pairava em toda a região, desde o sertão até o litoral sem chover. Os níveis dos rios baixaram que já falava em racionamento de água; córregos estavam em pó e muitas nascentes frágeis, foram ameaçadas pelo fogo. As pedras estavam inquietas e os pássaros planejavam vôos mais distantes.

Com a chuva que agora cai, a natureza agradece. Não se ouve trovão nem vemos os riscos do relâmpago no céu, coisa comum nessa época. Mas com a mudança de lugar das coisas, tudo é inconstante ou imprevisível. As instituições de saúde nos alerta para o perigo das doenças da época; A defesa civil fala do perigo das encostas, da ameaça que sofre os moradores dos morros. Passa o tempo e continuam os velhos problemas.

Ainda assim nos contentamos com o anuncio do verão. Ainda é possível por aqui, acordar cedo e sair para catar Caju no campo; catar Mangaba; colher Coco Caxandó. Os pés de Jaca têm as frutas maduras a essa época e ao seu redor os pés de Cajá despejam os seus frutos no chão, deixando amarelinha a terra, como um tapete florido. Abricó, Araticum, Araçá e muita Manga são as frutas que encontramos pelo litoral e que podem ser degustadas, sem se pagar nada ou bem pouco, pois é tanta que “chega perder”, como dizemos. Essa aparente fartura não é regra geral, infelizmente; são alguns lugares e em certas estações.

O desequilíbrio da natureza é o desequilíbrio que gera a fome. Por aqui – disse Geraldo Vandré- “pelos campos a fome em grandes plantações”, as plantações de eucalipto a invadir tudo, enquanto os produtos alimentícios somem das feiras e mercados. Mesmo com as estações mudando de tempo e lugar, ainda guardamos em nosso imaginário a beleza de cada uma delas, por isso nos alegramos a cada portal de estação que se abre.

Vamos ouvir a chuva.

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