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O Amor Amordaçado*

Pinheiro Salles além de poeta, foi um combatente contra a ditadura militar, revolucionário ao lado de tantos outros neste País. Com a anistia, depois de anos na prisão voltou á sua terra natal Guaratinga, para reconstruir os sonhos.
Um certo dia na prisão a ele foi negado o dia de visita – o sábado – pelo simples fato de o guarda naquele dia estar mal humorado. O que parecia um simples fato, virou questão nacional e até Drummond de Andrade foi em sua defesa.
Drummond, após ler a carta que Pinheiro Salles fez à sua esposa relatando triste, o incidente, escreveu em coluna dos principais jornais do País um belo artigo em que narra sobre a cor diferente do sábado(título do artigo) e as agruras que os presos políticos sofriam naquele momento.
No artigo ele cita o poema de Vinicius de Moraes “Porque hoje é sábado” e fala da visita que fez a Pinheiro Salles, ouvindo deste a explicação do incidente que subtraíra o sábado: “O guarda disse que gritei alto; mas se alguma vez eu gritei alto, foi de dor.” Para Drummond, o gesto da visita é símbolo da solidariedade e tirar um único dia que um preso sai da rotina – o sábado da visita – é torturá-lo ainda mais.
Pinheiro Salles escreveu um livro de Poemas e nele estão a Carta de Drummond; a carta que fez à sua esposa e o poema “A visita”, dedicado ao sábado negado.

* O amor amordaçado, livro de 1985, publicado em Goiania.

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