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Da madureza do tempo

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Tempo que devora meninos

Ele se lembra descendo a ladeira seguindo o seu pai
Para ir junto ao cinema.
Ele não compreendia que havia filmes, hora, censura e tempo para criança ir ao cinema.
O seu pai era “viciado” em cinema e ele parecia herdar aquele vício.
Mas enfim, ele lembrava daquele tempo, quando os filmes e o cinema reuniam as artes num conjunto de ações e performances que demonstravam inteirezas do ser, do atuar, do cantar do sonhar e de se ver no cinema.
Muitas vezes ele dava sorte e, ao seguir o seu pai o filme permitia concessões. Ele assistia à sessão maravilhado.
Noutras vezes ele ficava frustrado pois a sua condição de criança não permitia participar daquela magia, pois um ou outro filme era de adultos, coisa que o tempo de criança não permite acessar, para que não se devore a infância.
Porém ele re-inventava em forma de brincadeira e magia a sua sessão de cinema.
E no seu quintal, com os seus amigos, as cenas ocorriam: cinema, circo e show musical davam o tom da festa, embaixo do pé de goiaba, onde o mundo se recriava, como se soubessem que era preciso não permitir que o mundo do trabalho e da escravidão engolissem o seu tempo de meninos.

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