Desordens

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Nada de sonho, por enquanto*

Um dia a nossa casa era bem ventilada.
De um lado havia um terreno,
do outro lado, um beco – quase uma alameda – era o bom vizinho.
No fundo um enorme quintal, com plantas, pés de coco e goiabeira.

Com o tempo nosso bom vizinho foi embora,
vendeu a sua enorme casa para uma rede de supermercados
Ao fundo, um prédio foi erguido
E do outro lado, um paredão para fechar o prédio do fundo.

A nossa casa ficou cercada, sem sol e sem vento.
Os meninos foram embora
As vozes das cantigas de rodas ficaram distantes,
E o grito de mães chamando seus filhos para tomar banho enfraqueceu.

Ontem apareceu um senhor engravatado dizendo se interessar pela casa,
Que também havia comprado todo o quarteirão,
E o projeto do shopping já estava pronto, maquete linda e dinheiro a contar.

A casa será vendida, o shopping será erguido
E choraremos em meio a uma lembrança e outra.

* Relato de um patrício numa determinada região de Sampa.

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