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Traços étnicos

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As pernas do Tamanduá

Antigamente como todos os animais,
o Tamanduá corria muito bem pois tinha as pernas compridas.
No dia em que a Onça perdeu a aposta com o Sapo, foi o tamanduá o primeiro animal a ver a onça com um olho fora da órbita.
Oferecendo-se para lhe colocar o olho no lugar, fez uma traição e, com as unhas compridas, arrancou-lhe o outro também.
A onça teria continuado cega até hoje se não fosse a compaixão do inhambu azulão. É que o azulão tinha ficado com um pouquinho de fogo da onça e, por isso, ofereceu-se para procurar os seus dois olhos perdidos e colocá-los no lugar, guardando-os com resina de almécega.
Quando o azulão terminou a tarefa, a onça tratou de vingar-se do tamanduá.

Perseguido, o tamanduá correu muito, mas não podendo com a onça e vendo-se quase perdido, escondeu-se na toca do caititu. Mas esta era rasa demais e não deu para ele recolher os pés, apesar de todos os esforços que fez para encolhê-los.
Como o tamanduá tinha muita força nos braços, o inimigo não conseguiu desalojá-lo, mas comeu os seus pés que tinham ficado do lado de fora.
O tamanduá, coitado, escapou com vida, mas ficou até hoje com as pernas curtas.
Afirmam os índios que só foi aquela vez que o tamanduá fugiu da onça. Depois, nunca mais fugiu.
Ele defende-se dessa eterna inimiga enfrentando-a com os braços abertos. É o que se chama um abraço de tamanduá.

* Mitos dos Caiapó. Revista de antropologia, 1957.

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