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Conferência Territorial de Cultura

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Matou a cultura mas cedeu o Espaço Cultural

Porto Seguro foi a escolha da Secretaria Estadual de Cultura para sediar a Conferência Territorial de Cultura do extremo sul da Bahia. Um local estigmatizado pelo que há de exemplos do que não queremos enquanto modelo de sustentabilidade e convivência com as diferentes culturas. Primeiro, porque com o turismo que foi implantado pelo estado na década de 1980, expulsou os moradores locais, desapareceu parte da Mata Atlântica em seu entorno e todo o seu litoral foi invadido por condomínios arrogantes.
Além disso, a cultura popular e os festejos, desapareceram, com o método agressivo do governo baiano à época e das empresas do entretenimento.
Lamentavelmente hoje Porto Seguro não é referência pra nada e nem passa perto da realidade cultural do território ao qual pertencemos, com sua beleza e expressão cultural nas cidades que formam a região.
Foi como chorar o morto que ele próprio matou. Matou as culturas e criou um Espaço Cultural para tentar se salvar do pecado cometido.
Pior lugar não teríamos, por isso na Conferência pairou uma energia de tumba. Se tivesse pensando nisso, bom seria antes uma sessão de descarrego.
Salvou a situação, as apresentações culturais, de grande maestria.
Por isso a Conferência quase perde seu sentido de ser, não fosse a presença marcante dos representantes dos grupos de artes, dos tradicionais grupos populares de cultura e de representação dos municípios.
O debate não chegou nem perto da realidade que vivenciamos na atualidade: dos problemas que sofrem as cidades pela falta de acesso às informações e desinteresse das autoridades municipais. Sabemos que o atual governo do estado, através da Secretaria de Cultura Secult, tem iniciado um processo interessante e fundamental para a organização de um sistema estadual que garanta as políticas culturais, no entanto, essa movimentação se esbarra no jogo político eleitoral e na pressão do mercado do entretenimento, contrários à descentralização e a injeção de recursos para a cultura popular no interior do interior.
Estamos diante de contradições. E somente o movimento cultural organizado é quem poderá superar tais contradições, na medida em que forçar que os municípios dialoguem com igual interesse junto ao governo baiano na promoção das políticas para cultura e na medida em que o movimento cultural apresente a sua pauta e que o governo esteja aberto a consensuar as questões.
Por isso temos consciencia, que mesmo não chegando perto do que seria necessário refletirmos e atingir o eixo da questão, valeu a Conferência Territorial de Cultura. Ela legitima um processo em curso, sabemos disso.
Mas vai chegar um momento que – quem sabe na Conferência Estadual – será inevitável não tocar na ferida, apalpar mais que os contornos dessa moldura e abrir de vez o cenário mafioso que impede a construção de uma Política cultural séria. O caminho é o apoio aos grupos populares de cultura, ampliando e facilitando os acessos em todos os sentidos.
Assim valerá sempre.

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