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América afro-latina

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Salvador sedia o Encto. Afro-Latino de 25 a 28 de maio, que pretende uma Agenda afrodescendente. Autoridades de estado pensadores e artistas confluindo ideias. Aproveitamos para divulgar texto sobre o tema:
Liberdade, liberdade,
abre as asas sobre nós!

A população afro da América Latina e Caribe quer mais do que denunciar e trabalhar pelo fim da exclusão. Negros e negras exigem que se reconheça o seu papel na construção da história e das sociedades da Pátria Grande, ontem e hoje.

DIMAS A. KÜNSCH

O povoado, quase inacessível, está situado no norte da Colômbia, na região de Cartagena, e se chama San Basilio. É o palenque (quilombo) de San Basílio, onde muita coisa lembra a África negra.
Viajar de Bogotá a San Basilio é como saltar de um lado a outro do oceano. É também como fazer uma peregrinação pela história de cinco séculos de presença negra africana nas terras da Pátria Grande.
Aqui, no começo do século 17, o rei africano Benkos Biohó liderou uma revolta que fez de San Basilio o primeiro povoado negro livre do continente americano, com direito a reconhecimento pelas autoridades brancas, em 1713.
O território livre de San Basilio é parte de uma história oculta que a historiografia oficial, de cor branca, ainda insiste em não levar em conta.
Na versão dominante, a multidão de africanos trazidos compulsoriamente para o lado de cá do Atlântico não fez mais que trabalhar e se comportar de forma mais ou menos dócil, segundo os cânones prescritos pelas leis e costumes, o poder e a força do regime colonial de escravidão.
Outro lado da história
Não é verdade. Os negros do continente americano não aceitaram passivamente a escravidão, e o poder branco sabe que eles deram trabalho. E muito.
A resistência e a rebeldia, porém, têm vários lados e cores. Na história da escravidão, o sonho da liberdade e da vida às vezes ensina que é melhor negociar com o poder dominador, de forma a garantir espaços mínimos de dignidade, ou de sobrevivência.
É assim que deuses e espíritos africanos penetram silenciosamente o mundo da religião branca, imposta, para conviver de algum modo com a multidão de santos católicos, até então desconhecidos pelos negros.
Religião pacientemente negociada, música e dança, onde possível, fazem parte dessa tentativa impertinente de tornar menos irrespirável o ar fétido das senzalas, e menos desesperadores a saudade, a angústia e o sofrimento causado pelo trabalho forçado e o chicote do patrão.
Mas o sonho da liberdade e da vida às vezes também ensina que vale a pena se rebelar, articular a revolta, desobedecer, praticar sabotagens, fugir. Nos casos extremos, ensina que é preferível optar pela morte a ter que continuar como escravo.
Na Colômbia, chamavam-se palenques os povoados de negros livres que escaparam da escravidão para, ali, viver vida de gente e cultivar o gosto pelas raízes africanas. Na Venezuela, esses povoados de “selvagens não domesticados” receberam o nome de cumbes e, no Brasil, de quilombos.
Em 20 de novembro de 1695, no Brasil, era destruído o quilombo de Palmares, a República livre de negros rebeldes liderados por Zumbi.
Mas Zumbi e Benkos Biohó nem de longe foram os únicos. A história da resistência negra no continente americano lembra outros nomes famosos, como Bayano (Panamá), Ventura Sánchez (Cuba), Cudjoe e Nanny (Jamaica), Andresote (Venezuela), Yanga (México), Nat Turner (Estados Unidos), Dessalines, Henry Christophe e Toussaint L’Ouverture (Haiti), Francisco Congo (Peru).

Fonte: Revista sem Fronteiras.

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