Folia de Reis resiste e celebra a vida

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No Natal, a Folia de Reis do mestre Francisco marcou que cantaria no ‘recinto’ do Viola de Bolso. Lá pelas horas, o seu filho veio nos avisar que a folia não viria mais, pois os dois gaiteros não haviam chegado: – Deixasse para o dia primeiro de doismilionze, disse Toinzim, filho do mestre cantador.

Segundo ele, o mestre Francisco canta os três Reis, tem os três ofícios na cabeça, numa alusão às Folias de Natal (24 dezembro), do dia de Reis(06 de janeiro)  e a São Sebastião, dia 20 de janeiro.

Quando foi em janeiro, dia 06, visitamos Itapebi e assistimos a duas belíssimas folias: a  Folia de Reis e Boi duro do mestre Zé Machado e suas filhas, e a Folia do mestre Turiba, acompanhado de figuras dos antigos grupos de reisados da Itapebi Velha.

O seu neto Alessandro de 13 anos é quem dança com o Boi Duro, elemento da tradição e costume das folias do local.

Neste mesmo dia, em Guaratinga, uma Folia alegre e colorida visitava casa por casa, celebrando o ofício da reza e da Contradança, uma variante do ‘Samba de Couro’, característica do reisado do extremo sul baiano.

Assim aconteceu em dois bairros de Eunápolis, aqui na periferia, no lugar em que a universidade não vem, nem o bispo, nem o prefeito, nem o juiz.

Assim aconteceu em Santa Maria Eterna, quando a Folia de Reis anunciou de casa em casa a alegria da vida, sem nem lembrar/pensar como isso tudo começou. Se cristãos ou mouros, se judeus ou mulçumanos, se negros ou branquelos.

Em cada lugar, o que temos visto é a celebração da vida.

Em tempo: O Viola de Bolso está realizando os registros das diferentes expressões culturais do extremo sul da Bahia.

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