Brasil Indígena

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ESCADA DE FLECHAS*

No tempo de antigamente, o céu estava mais baixo e as onças comiam muita gente. Não havia para onde fugir.

Então, o Pajé, o médico-feiticeiro atirou uma flecha para o céu. Outro Pajé procurou com a vista e encontrou onde estava a flecha do colega. Atirou nela e acertou.

Todo mundo passou a atirar e a acertar na primeira flecha, formando-se uma escada de flechas que descia do céu até o chão.

Quando na manhã seguinte, muito cedo , o Pajé que havia atirado a primeira flecha foi ver como a mesma estava: ela tinha virado um cipó com degraus por onde se podia trepar. Todo mundo queria fugir das feras, mas o Pajé descobriu que um casal de onças já tinha subido na frente.

Contou isso  aos índios e perguntou se algum deles estava disposto a ir ao céu para cortar no alto a escada, a fim de que as duas onças não pudessem mais descer. Um homem e sua mulher subiram e cortaram lá em cima o cipó, o qual caiu na terra e ainda hoje se encontra no mato.

Seu nome é oiori iédu.

O homem e sua mulher ficaram em cima.

*Relato Kaingangue, Rio Grande do Sul, recolhido por H.Baldus, em 1958.

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