E SE NAO FOSSE

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PROGRESSO

Ali onde existia um belo cinema, hoje é uma Igreja que negocia a fé
Aqui onde era um terreiro sagrado de Ogun, hoje também é uma igreja triste
Onde existia uma comunidade tradicional, de nome Marília, hoje é a fábrica de Celulose
Ali em mundo novo, onde trabalhavam contentes as famílias com as suas pequenas olarias, hoje existe apenas uma grande olaria. Foram embora as famílias, secou o rio, sumiu a argila e agora, a fábrica ameaça fechar.
Ali onde antes era uma colônia agrícola, com centenas de pequenos proprietários, hoje são latifúndios cercados, guardados por seguranças de motos.
Ali onde era imensa, diversificada e úmida a floresta, hoje é um deserto verde.
O supostamente feio, caótico e emaranhando de plantas, cipós, nascentes, bichos, ninchos, centopéias, gosmas, barro, limos e fotossíntese, deu lugar
Ao supostamente belo, um único mosaico, bem desenhado, mapeado, registrado, uma única espécie, repetida em série, na solidão do deserto.
Lá onde o carnaval era uma diversidade de grupos, blocos, bandas, caretas e cores,
hoje – para o bem da economia – o que se vê e se ouve são os veículos com as suas imensas caixas de som, disputando quem tem o som mais alto e pior gosto musical.
Onde antes havia uma corredeira sagrada de águas limpas, lugar de mistérios e atração da comunidade local, hoje não existe mais. As águas da hidrelétrica engoliram a história e seus significados, em nome do progresso.

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