HERANÇA DO FOGO

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LATINO -AMERICANOS

Dizem que temos faltado ao nosso encontro com a história e, enfim, é preciso reconhecer que chegamos tarde a todos os encontros.

Tampouco conseguimos tomar o poder, e a verdade é que, às vezes, nos perdemos pelo caminho ou nos enganamos de rumo e depois tratamos de fazer um longo discurso sobre o tema.

Nós, latino-americanos, temos a má fama de charlatães, vagabundos, criadores de caso, esquentados e festeiros e não há de ser por nada. Ensinaram-nos que, por lei do mercado, o que não tem preço  não tem valor, e sabemos que a nossa cotação não é muito alta.

No entanto, nosso aguçado faro para negócios nos faz pagar por tudo que vendemos e comprar todos os espelhos que traem nosso rosto.

Levamos  quinhentos anos aprendendo a nos odiar entre nós mesmos e a trabalhar o corpo e a alma para a nossa perdição, e assim estamos; mas ainda não conseguimos corrigir nossa mania de sonhar acordados e esbarrar em tudo, e certa tendência a ressurreição inexplicável.

(Texto de Eduardo Galeano, em seu livro “De pernas pro ar”, Ed. L&PM/2000).

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