A CIDADE

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EUNÁPOLIS CRESCEU – Festa e discurso

Em começo de maio Eunápolis comemorou o seu vigésimo terceiro aniversário de emancipação dando loas ao seu ‘crescimento.’ Entendendo que crescimento não é referencial de sustentabilidade em nenhum sistema social e político, principalmente no sistema capitalista, é preciso analisar alguns aspectos desse chamado crescimento e quem adota esse discurso na cidade prodígio do extremo sul.

Veja por exemplo o crescimento: a gente pensa logo em uma cidade em que bairros surgiram, comércio cresceu e pessoas se instalaram. Verdade, porém as condições em que isso se deu é que merece reflexão. Basta olhar as condições insalubres dos bairros, a fragilidade do comércio, a velocidade com que abrem e fecham lojas e suas capacidades de burlarem direitos trabalhistas, e a leva de pessoas que chegaram à cidade, uma massa desiludida, em busca de saída para sobreviver depois que caiu na real e viu que a propaganda do emprego fácil era uma mentira. Mendigos, portadores de sofrimento mental, comércio ambulante, meninos nas ruas, milhares de mototaxistas são os sinais evidentes de uma cidade desequilibrada.

Os poucos que aqui recentemente chegaram com seus altos  investimentos – no rastro das empresas que abandonaram  as cidades onde passaram – é que fazem o discurso do crescimento de Eunápolis, e de sua decisão em escolher, adotar a cidade para criar seus filhos e investir, desconhecendo a história da cidade e longe da preocupação com o futuro, a não o ser o futuro de seus lucros empresariais. Enquanto alguns faziam festa em nome do crescimento, muitos estavam perplexos com o fechamento do supermercado chame-chame, prova maior de uma economia insustentável e de um crescimento contraditório. Em pleno mês de maio, no aniversário da cidade, um dos supostos duradouros investimentos econômicos de Eunápolis vai à bancarrota.

Sem contar aqui os investimentos públicos e os índices deficitários no campo da saúde, educação e cultura.

A quem pertence o crescimento? De uma coisa é certa, não pertence aos pequenos, aos moradores antigos, aos filhos dessa terra. No entanto, é impossível não perceber o fenômeno, pois vemos a cada dia como – pais de família –  nos envolvemos com a cidade, seja ouvindo as noticias, seja sendo noticia, lamentavelmente, nessa onda ameaçadora de violência que nos trouxe o tal crescimento.

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