HA HA HAE – A aldeia do sal

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Na Aldeia do sal
Faz tempo que ando e andei na aldeia dos Pataxó Ha Ha Hae. Tempos ásperos e tempo de muitas amizades. Tempo em que o sal a gente dividia em blocos azedos da manhã nebulosa do que viria de Pau Brasil. A policia militar vigiando a aldeia…
Hoje leio e releio tantos acontecimentos que por lá acontecem: luta, morte, sal, falta de saúde, seca e animosidades frente ao descaso, que sinto perto, na fronteira da luta, contra o abuso, contra a maquina estatal, contra o descaso, ouvindo a voz dos indígenas na internet, na anaind, no olhar noturno de Guga, nos tropeços de Luiz Tithiá, na indignação de Nailton Muniz, na reverberação de Maria Muniz, nos relatos do livro de América sobre o que aconteceu nos 500 anos. E as contradições de Maria Hilda? E o medo do Cimi? E a omissão da Igreja? E o jogo do estado brasileiro?
Tanto tempo que não visito a aldeia Caramuru Catarina Paraguaçu e nem sei de Ninho, meu velho companheiro de sonhos e esperanças, quando arquitetávamos as táticas contra as comemorações dos 500 anos, e ele, em sua calma de sempre falava que tudo Ia dar certo. E deu no que deu…
Hoje, relendo cartas e manifestos, recebendo pessoas, lideranças indígenas em nossa casa, afirmando que a luta continua, creio que o sonho permanece.
E a luta árdua também, na aldeia do sal.
As aldeias Bahetá, São Lucas, Água Vermelha, Ourinho, Taquari,Serra, Paraíso, Milagrosa, Bom Jesus, Mundo Novo e Panelão gritam as suas perdas.

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