VIOLÊNCIA CONTRA OS PATAXÓ: até quando?

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RETRATOS DA MENTALIDADE COLONIAL

Impera ainda no sul da Bahia – contra os povos indígenas – a mentalidade colonial, herança da suposta e execrável vontade de superioridade dos invasores europeus, calcados nas idéias de raça superior, de anuência divina e de estado absoluto. O que ilustra isso é a violência contra os protetores da terra, os hã hã hae, os sapuiá kiriri, os Tupinambá, os Camacã, securlamente oprimidos e achincalhados em seu próprio território, expulsos que foram; mesmo assim eles não se deixaram abater e continuam resistindo, guerreando de forma desigual, vendo os seus bens naturais pilhados e seus filhos violentados a cada ano.

Até os dias de hoje é assim. A monarquia deixou de existir, veio a republica, veio a nova republica, as constituições se reformularam, mas a colônia continuou a fazer as suas vitimas e a determinar o futuro na modernidade cruel, na cara da lei e com a conivência dela.

A conclusão é que se na região do território hã hã hãe não for superado a mentalidade atrasada colonial do pilhamento e da escravidão, da ignorância e da brutalidade, não haverá justiça nunca!

A tese do direito originário(confirmada pela CF de 1988) parece não ter nenhum valor, o estado e a constituição modernos são constantemente confrontados e desrespeitados, em nome do falso desenvolvimento, para o lucro da agroindústria e,  no caso da terras indígenas no sul da Bahia, pelos interesses da máfia da mineração e do latifúndio anacrônico.

Uma lida na trajetória histórica da invasão e dos relatos indígenas ou estudos indigenistas seria bastante para se confirmar o genocídio paulatino(sic) a que foram submetidos os povos indígenas aldeiados  na terra indígena Caramuru Catarina Paraguaçu, crime colonial já em 1936, que destinou uma pequena área de confinamento para estes povos em 54 mil hectares. Como se não bastasse tal crime, os relatos oficiais e não-oficiais deixam claros a violência e a ganância com que foi sendo expulsos os povos indígenas daquelas terras, em nome da expansão agrícola e do desenvolvimento nefando.

Pra chegar no dia de hoje e ouvir a voz do governador da Bahia falando em ‘negociar’ uma área em outro local que substitua a terra originária dos hã hãe e sejam transferidas as famílias para outra região, garantindo condições de habitação, escola, e produção econômica(como se tais condições fossem privilégios e não direitos) é um desrespeito á memória dos antepassados e à dor que traumatizaram as vidas dos indígenas até os dias de hoje; uma afronta aos direitos dos povos autóctones, direitos garantidos na lei suprema.

Se a justiça não for feita, se o território Pataxó não for devolvido em sua totalidade aos seus verdadeiros donos, não haverá paz. E qualquer mediação de conflito sem a consciência disso, é hipocrisia. Porque na verdade não existe conflito stricto sensu(as duas partes não estão em guerra local), mas uma violência sistemática há décadas coadunada entre fazendeiros, políticos, estado e governos locais. A paz é um vácuo, abismo sem fim a contrastar com a força vital dos povos indígenas e suas diferentes visões de mundo.

E sem paz, é preciso que os povos indígenas façam guerra ou reinventem as suas formas de luta.

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