VIOLA DE BOLSO RECEBE A CARAVANA CULTURAL DA SECULT BAHIA

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Breve reunião

Na manhã de sol, findando o verão do dia 22 de março, a equipe do Viola de Bolso recebeu em seu espaço cultural o secretário estadual de cultura Albino Rubim e a sua comitiva. A Caravana cultural já havia passado em Teixeira de Freitas, Itanhém, Caravelas, Alcobaça, Prado e Itamaraju. Em Eunápolis o tempo do relógio e o tempo da vontade misturaram a agenda e o compromisso, fazendo a pressa ter lugar. No dia anterior a equipe da Caravana havia passado no Terreiro Logun Edé onde dialogou com aquela comunidade religiosa e viu de perto a riqueza ambiental de um espaço protegido pelos encantados e vigiado sob o olhar atento de mãe Luziene. O Terreiro fica no bairro Juca Rosa.  Em seguida, a equipe da Caravana foi para o Colégio modelo, o CETEPES, onde realizou um longo bate papo com artistas, estudantes, autoridades e funcionários da administração municipal, na noite do dia 21.

Pelo sim e pelo não

No CETEPES – antigo colégio modelo – o debate do público com a equipe da Caravana evidenciou uma fragilidade dos segmentos culturais em Eunápolis, comprometendo o resultado final da passagem da Caravana na cidade. A conclusão é que em Eunápolis uma maioria dos artistas e pessoas que envolvem de alguma forma com manifestações culturais, ainda desconhecem os avanços das políticas culturais, seja do ponto de vista do estado (programas de incentivo, proteção acesso e fruição; marcos legais, planos de cultura, etc ), seja do ponto de vista da sociedade civil e seus movimentos culturais organizados(Fóruns específicos; conselhos de cultura; Pontos de Cultura, etc). Esse alheamento tem razão de ser. Eunápolis é uma cidade sem equipamentos culturais que seja referencia e aglutine os artistas ou grupos comunitários; o poder público local através da Secretaria de Educação, mantém um departamento cultural que não compreende nem tem a iniciativa de querer compreender o seu papel, apesar dos esforços da secretária; e por fim, a própria mentalidade dos artistas locais baseada no valor do ‘cada um por si’,  lutando para ser reconhecido e garantir um apoio para o seu trabalho, cria uma barreira a impedir avanços e compreensões que torne efetivo os sinais de mudanças.

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A surpresa e o constrangimento

A partir dessa constatação, o Viola de Bolso é da opinião que a equipe da Caravana foi surpreendida – pela forma que foi conduzida a visita – por uma confusa programação e, sobretudo, constrangida ao ser colocada no meio de uma discussão local ruidosa, que nada teve a ver com discussões sobre as políticas culturais da atualidade, quando as pessoas perderam a oportunidade de aprendizado e aproveitamento do conhecimento e a experiência que as pessoas da equipe têm.

Com efeito, falta à administração local constituir o departamento de cultura de Eunápolis de pessoal que compreenda o papel institucional que o cargo representa e tenha pleno conhecimento dos processos de construção das políticas culturais no Brasil, na Bahia, tendo a capacidade de projetar os cenários de sua incidência no município de Eunápolis. Para a realidade do município, não é tarefa fácil, porque são estas pessoas que devem conduzir o processo de discussão e construção do sistema municipal de cultura, de abrir o diálogo com os segmentos culturais fragilizados e de organizar as temáticas que culminará com a Conferência municipal de cultura. Esta é uma responsabilidade do poder público que pode estar ameaçada em Eunápolis: saber cumprir as suas tarefas e saber comprometer a participação dos segmentos culturais.

Em resumo, do jeito e como está formada a equipe do departamento municipal de cultura, as bases de construção das politicas culturais e os resultados podem estar comprometidos. Mas antes disso, a tarefa prioritária neste momento é recuperar o diálogo com a Secretaria Estadual de Cultura, recompor a imagem distorcida que o próprio departamento gerou para o coletivo da Caravana e avaliar os diversos equívocos que tem sobre a realidade cultural de Eunápolis.

Em tempo: O mérito vai para a Secretária municipal de educação Adail Britto, que garantiu com o prefeito Neto Guerrieri a assinatura do Termo de Adesão ao Sistema Nacional de Cultura.

 

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