Pro caso dos Pontos de cultura: Ouvir a ministra é não ouvir futuro algum

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O movimento dos Pontos de Cultura no Brasil ainda não tomou consciência de sua força criativa e do seu empoderamento político. Sentir-se satisfeito com as falas que a ministra Marta Suplicy do Minc tem feito é muito pouco. É não saber o lugar que o estado tem no processo politico de consolidação das politicas publicas de cultura e, neste lugar o papel histórico dos Pontos de Cultura. No começo – na primeira gestão – do programa cultura viva, o dialogo era sincero; atualmente é cada um no seu púlpito invocando discursos, supondo que estar no ministério é estar blindando pelo deus supremo dos ferros do estado, de olho nas contas inexatas dos incapazes. Pura arrogância.

Basta ler um trecho da propaganda do site do Minc sobre os Pontos de Cultura ou sobre o programa cultura a viva para perceber as mudanças, o retrocesso e o estilo ‘caras’ da ação ministerial. Acabou.

Basta ouvir o silêncio vergonhoso e temerário em torno da grandeza que será o 1º Congresso Cultura Viva Comunitária, na Bolívia, movimento cuja inspiração está nos Pontos de Cultura em toda a América Latina, inclusive Brasil.

Basta ouvir os murmúrios e negativas – um ‘eu não sei’; ‘isso não’; ‘espere mais’; – em torno da Lei Griô e da Ação Griô no País, uma tamanha  indiferença, pra não dizer preconceito.

E nossos companheiros na sala branca e  fria do Minc  tem que aplaudir? Com o senso crítico que têm eles sabem que não podemos aplaudir a retórica e o vaticínio contra os Pontos de Cultura. Segundo a Marta os nossos problemas são as prestação de contas. Então os ensine a cuidarem do dinheiro e dos negócios! – subestima.

O que significa  “melhoria dos processos de controle e desempenho, aumentando sua estabilidade, efetividade, eficácia e auto-renovação”, afirmado pela porta-voz da guilhotina, Rolemberg? Significa engessamento, adequação ao mercado, excelência de negócios artístico em série, desencanto e desacato. É que vem por aí.

O Redesenho nada mais é do que uma atitude reacionária contra a ação criativa e libertária das comunidades culturais, tentativa em vão de modelar o imodelável; regular no sistema o anti-sistêmico por natureza e tornar cinza a beleza das cores e fitas das culturas identitárias, sua face e os seus cantos impossíveis de resignação.

Eis a hora do movimento dos Pontos de Cultura ocupar o seu lugar com maior firmeza: o lugar na história, longe dos gabinetes e dos palanques. Junto às suas comunidades culturais.

Portanto, ouvir a ministra do Minc é ouvir a tentativa do vazio dos Pontos de Cultura. No dia 03 de abril  Durante audiência pública, na Comissão de Cultura da Câmara, uma matéria de Aécio Amado(repórter da Agencia Brasil) diz que a ministra “manifestou preocupação quanto à viabilidade ao Programa Ponto de Cultura, que considerou como um dos mais importantes do ministério. Ela explicou para os parlamentares que o programa enfrenta dificuldades por causa de questões relacionadas à prestação de contas.” Ou seja, toda a riqueza histórica e luta política cultural mais importante pós-ditadura militar relegada a mera e simples prestação de contas!

Espero que a reunião da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura em Brasília se posicione com firmeza e dê um salto na perspectiva de fazer do movimento, um movimento verdadeiramente nacional, livre, criativo, autônomo e de todos!

 

 

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