Alegoria da Copa 2014, alegria do minc

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Em seu cadastramento ligeiro

 A copa do mundo não é um evento para pobre, para gente do povo. O futebol, a pelada, o baba são eventos do povo. Mas a gente assiste à copa. Pela tevê, que é o portal, o plano visual da grande maioria que não pode ir aos estádios, assistir à maravilha que encantou muitos e hoje nem tanto, que é o futebol brasileiro. E de todo modo, como não poderemos – nós os pobres – ir aos estádios, assistiremos de camarote(ou melhor, do sofá de casa) e sob vários ângulos aos jogos da copa do mundo no Brasil!

Governos estaduais, municipais, autoridades e até grupos culturais sonham em fazer bonito para inglês ver. Os ingleses – dizem – que inventaram o futebol(e que não acredito)! É o turismo ao extremo.

É bom lembrar que estamos penando para garantir que os recursos públicos sejam todos canalizados para as obras de infraestrutura do maior evento da terra: o papo que rola é que foi tirado dinheiro de diversos setores e programas para os investimentos nos estádios, nos aeroportos, hotéis e até cassinos para agradar aos turistas e futebolistas!

Esta é uma oportunidade para ganhar dinheiro. Vamos falar inglês.

Esta é uma oportunidade para o mundo vê que somos do primeiro mundo.

Esta é uma oportunidade para o mundo vê que somos gratos aos portugueses pela ‘descoberta’ iluminada.

Esta é uma oportunidade para todos verem a nossa cultura.

O Minc lançou um Edital 2014 que vem na mesma proporção de ilusão da copa do mundo. Um evento que abrange todos e todos serão felizes. Um edital que todos podem se inscrever democraticamente, não precisa muitos documentos, nem exige muita elaboração. Basta dizer o que faz e onde pretende apresentar o que faz. Este é o resumo do edital.

Mas daí inscrever um projeto, se colocar na posição de proponente e aberto a ir aonde Minc quiser e passar no edital, o caminho é longo. Ou melhor, não existe caminho, existe cadastro.

E cadastro não quer dizer nada, a não ser que você se credenciou ao que propõe o outro(instituição, evento, etc), mas daí você ser ‘convocado’ é outra história. Aliás no mundo do futebol é que ´termo convocado é utilizado; no caso do Minc o termo é ‘selecionado’ para aqueles que conseguem acessar algum recurso público do governo brasileiro no Minc. E de seleção já estamos desconfiados há muito tempo, da seleção brasileira de futebol e da seleção burocrática e ilusória do Minc. No labirinto da Selic web do Minc não cabe as comunidades culturais. Cabem as empresas da indústria cultural, cabem as empresas da moda fashion e no mínimo, aquelas instituições culturais que se apropriaram da ciência de elaboração e intervenção oficiosa nos corredores do Minc.

Como a luta dos grupos e comunidades culturais é uma luta histórica de resistência, continuamos na peleja e na pelada. Na peleja da luta cultural e nas peladas de futebol de várzea, que é definitivamente o nosso lugar. E o Minc com o seu edital fajuto que se dane!

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