Conhecer para não repetir

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Emiliano José fala ao público
Emiliano José fala ao público

Foi muito bom o debate na noite de quarta feira, 23 na abertura da programação do Viola de Bolso em torno dos 50 anos do golpe militar de 1964. A partir das palestras do deputado federal Emiliano José e de Otavino Alves da Silva, sob a mediação da historiadora Ariadne Rocha, as reflexões tiveram como base os depoimentos dos dois companheiros que participaram ativamente das lutas nos anos de chumbo, lutaram, combateram a ditadura e sobreviveram a ela.

Conhecer para não repetir.

Eis o lema que defendemos, numa alusão à necessidade permanente de manter viva a memória dolorida e intensa do período das lutas contra a repressão no Brasil.

O depoimento de Emiliano José foi profundo e detalhado, sob olhar e a atenção do público, em sua maioria jovens estudantes.

Emiliano José relatou as atrocidades dos torturadores e a frieza com que conduziam as sequencias de violência contra companheiros, chegando a falar sobre si mesmo e revelando os nomes dos seus algozes. Ele relembrou diversas fases da ditadura na Bahia e no Brasil e a perseguição do regime a lideranças políticas, estudantes e jornalistas. Comentou sobre o papel da Comissão da Verdade e respondeu a perguntas do público que reclamaram sobre a necessidade de mecanismos jurídicos que julguem e ponham na cadeia os torturadores e generais assassinos da época. Dentre tantos detalhes das falas de Emiliano José, chamou a atenção a sua altivez e firmeza com que trata o tema da repressão e que ele mesmo avalia a necessidade de as escolas públicas ter que inserir em seus conteúdos, a história dos anos de chumbo.

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Otavino, marceneiro, escritor de memórias e militante político, também foi enfático quanto à necessidade de a sociedade civil ampliar os debates e gerar condições de mobilização a partir do papel da Comissão da Verdade, mas também independente dos seus resultados. Otavino aproveitou para relembrar a sua trajetória de luta e a contribuição para organizar novas frentes de lutas no final dos anos da década de 1970, inclusive em Eunápolis onde residiu e ajudou na fundação do Partidos dos Trabalhadores e na retomada de sindicatos de trabalhadores rurais viciados pela ditadura militar.

Muitas interpelações, considerações e discursos foram seguindo o bate papo na sala do espaço cultural do Viola de Bolso. Militantes antigos, jovens estudantes, pais de alunos dos cursos no Viola de Bolso, artistas e professores participaram das reflexões.

A programação no Viola de Bolso segue até o dia 26 de abril, sábado.

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