30 anos do Viola de Bolso

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Em 2015 o Viola de Bolso completa 30 anos de luta. O Ponto de Cultura 07 anos; O Programa Cultura Viva fez 10 anos e agora virou Lei, política de estado.

Breve história

Em 1985 nascia o grupo Viola de Bolso, constituído com maior organicidade com ações e planos mais determinados, pensados a partir da realidade local. São parcos, os registros escritos, mas existem muitas fotografias da época e da trajetória, felizmente.

1985 foi o ano da abertura, ano de surgimento do MST e ano em que Tancredo Neves foi aclamado no Congresso Nacional como o primeiro presidente civil, após os anos de chumbo. Foi em 1985 que também ocorreu o 1º Rock In Rio. Antes disso, já havia ocorrido o festival de música da Tv Globo, demarcando espaços musicais pós-ditadura militar e revelando artistas como Raimundo Sodré(de A Massa) e Osvaldo Montenegro(Bandolins); bom mesmo foi assistir Dércio Marques, Tarancon furando bloqueios instalados pela própria globo e sua política sintonizada com a censura e os governos da ditadura.

O surgimento do Viola de Bolso remonta um tempo em que no interior do Brasil podíamos  experimentar sensações e possibilidades criativas nos espaços entre o quintal e a rua, a escola e a praça. Mesmo num tempo de ditadura e cerceamento de liberdades. Por isso o Viola de Bolso nasceu embasado na busca por liberdades de expressão e embalados por novas experimentações musicais, conceituações políticas, filosóficas e literárias cujas fontes eram o nordeste brasileiro. Música, poesia, literatura e artes visuais se juntavam à pedagogia do oprimido de Paulo Freire e ao teatro de Augusto Boal.  Enquanto isso, no território regional, acompanhávamos a movimentação de pessoas e instituições sociais que estudavam os fenômenos sociológicos e refletiam sobre o modelo de desenvolvimento que mudaria a cara e o ambiente do extremo sul da Bahia. Este contexto era o palco da história do Viola de Bolso.

Constam nos relatos do Viola de Bolso que o grupo começou como uma banda musical, depois agregando teatro e poesia. A atuação sempre teve caráter de militância cultural, social e política, seja através das letras musicais e textos poéticos, seja na promoção de atos e eventos culturais temáticos(1º de maio, dia mundial da paz, dia do estudante; ato pela não-violência, são exemplos), na mobilização de público e apresentações em segmentos dos trabalhadores, sindicatos, assembléias campesinas, barriais , até cultos religiosos nas CEB´s – comunidades eclesiais de bases(vinculadas à igreja católica).

O fazer cultural do viola de bolso se moldou e se alargou a partir da práxis e da escuta. A sua base teórica reúne um arcabouço de leitura regional, de princípios da pedagogia do oprimido e da cultura nordestina, do realismo fantástico de Ariano Suassuna, do cordel e do artesanato das mulheres e homens de feiras, de beira de rios, de terreiros; da poesia de Patativa do Assaré a Zé Limeira e do baião de Luiz Gonzaga a Dominguinhos; do Quinteto Armorial, Quinteto Violado, Banda de Pau e Corda, até os movimentos culturais atuais, que elevam e recompõe o universo dos maracatus, do coco, do baião e das cirandas. Chegamos aos 30 anos, após o Viola de Bolso ganhar status jurídico, vivenciar a experiência do projeto dos Pontos de Cultura, ser reconhecido em toda a Bahia, compor uma atuação mais planejada voltada para a formação de ativistas culturais, além de estimular a formação artística de jovens e adolescente através de suas oficinas em seu Espaço cultural no bairro dr. Gusmão, Eunápolis Bahia. Chegamos aos 30 anos com a Lei Cultura Viva aprovada, mas com todos os desafios redobrados, para que se faça valer os anos de luta e de conquista por direitos de cidadania cultural, respeito à diversidade e acesso multiplicados para as comunidades culturais no Brasil.

Por isso em 2015 vamos celebrar e refletir o nosso fazer cultural, mas, sobretudo, vamos intensificar as ações culturais e defender os direitos culturais, mobilizando diversos atores, para tornar a política pública de cultura, uma marca para a cidade e um legado para as futuras gerações.

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