Quem tem medo de poesia?

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A Poesia é assim

A poesia é do amor, morde, causa desordem, inspira e mora na alma. Porém muita gente tem medo dela, porque  ela tem feeling, diriam os poetas ou, porque a poesia nunca brota da nascente, ela é a nascente pura e inexplicavemente.

Eis em Gustavo, o Felicíssimo a pura e inexplicável nascente, que brota do sentimento e cria desordem, num mundo que supostamente quer a ordem. Mas na poesia nao existe ordem e, por mais ordem que o poeta espera ou exaspera das letras, o seu ajuntamento é só sentimento. Porque o poeta não tem medo de poesia.

O Viola de Bolso inventou essa coisa de poesia, esse projeto sem sentido e com muito sentimento, somente pra isso, para que os poetas em desatino, inspirassem ao mundo a livre poesia e a vontade de viver, perguntando – mesmo sabendo da resposta – quem tem medo de poesia?

E para abrir o projeto neste segundo semestre de 2015, Gustavo Felicíssimo nos brinda com dois poemas belíssimos:

DOIS POEMAS DE DESORDEM

DESORDEM
Dois cães regem o homem:
um, é tormento
o outro, entusiasmo
Equilibrar esses dois cães
é questão de vida e morte
Dois cães
quais
dois deuses
Qual deles será comigo hoje?

LADRANDO FEITO UM CÃO

Certo! Um dia verei Deus
com esses olhos que a terra há de comer.
O que face a face me dirá, não sei,
mas lhe beijarei as mãos
e tomarei a sua benção
como outrora fiz à minha mãe.
Então mostrarei o nome do seu filho
impresso nas paredes dos prostíbulos
e nas páginas de antigos livros
que unem e separam os homens.
Mostrarei tantos clamores inauditos,
os discursos pela paz mundial
e aquele franzino Davi
montado em poderosos helicópteros
e tanques de guerra subjugando o seu irmão.
Estarei ladrando feito um cão
e ele me lembrará
que a videira é seca, suja e torta,
que esse vale é feito de lágrimas.

* poemas do livro “poemas de desordem, lançado pela editora mondrongo.

No dia 16, quinta feira de julho, às 19h no Viola de Bolso.

 

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