Ivan, o virtuose

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Ivan em visita ao Viola de Bolso
Ivan em visita ao Viola de Bolso

Ivan poderia ter outro nome, poderia ser um José. Não um josé qualquer, mas um Ivan guerrilheiro da palavra. Não lembro agora o sobrenome de Ivan, nem preciso. Ivan do Viola de Bolso, um guardador de memórias, de sorriso e de histórias de altos e baixos em sua vida. Ivan sempre driblou muito bem a bola da vida, as armadilhas do cotidiano ele desarmou todas e, no campo individual, ele sabe convencer o outro a seguir em frente, depois que fala sobre as coisas, ou depois que ‘vende’ alguma coisa de que precisa vender.
Quando conhecemos Ivan lá pelos idos de 1983, jovem que éramos, ele estava descobrindo os meios de realizar ‘viagens’, deslocamentos psicóticos. E em meio a isso, Ivan tinha a crítica aguçada e uma permanente militância em defesa dos direitos humanos.
Propusemos a ele participar do grupo de jovens do bairro dr. Gusmão, um grupo ligado à igreja católica do bairro, cuja inspiração era a luta do bispo de El Salvador, dom Oscar Romero, assassinado em 24 de março de 1980, por causa do seu apoio aos pobres simpáticos com a luta da Frente Farabundo Marti de Libertação Naciona(FMLN). Oscar Romero era o nossa inspiração de irmandade latinoamericana.
Ivan, jovem virtuose, performático, artista por natureza, libertário por consciência e anarquista involuntário, se juntou depois ao Viola de Bolso. O teatro era a sua função e a alegria era o seu execício diário. Depois Ivan começou a cantar nos shows do Viola e em meio a uma cantiga e outra, decidiu aprender a tocar violão. Pela  sua natureza e insistência, logo ele estava tocando as suas canções e foi vivenciar experiências em barzinhos da cidade. Ivan esteve com o Viola de Bolso um bom tempo, tempo bastante para deixar a sua marca da memória e colar a saudade em nossos corações. Ivan foi viver novas aventuras fora do Viola, em outros estados, em outras cidades.
Vez em quando ele nos visita. Mata a saudade, canta, sorri, relembra as nossas aventuras e viaja novamente.
No marco dos 30 anos de celebração do Viola, Ivan aparece e conta histórias. relatos que um dia registraremos aqui, do tempo em que o Viola viajava na carroceria de caminhões, de carona ou em ônibus em fim de carreira. Tempo em que a poesia era o caminho e o poema, a vida.

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