A esquerda na América Latina: dos militantes clássicos à mobilização baseada em pautas concretas.

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Uma Entrevista especial com Bernardo Gutierrez

Depois de mais de uma década de governos “progressistas” em alguns países da América Latina, muitos movimentos sociais “foram cooptados pelo Estado”, “perderam energia” e “ficaram estagnados em estéticas, relatos e mitos do passado”, dialogando “mal com o novo”. Em contrapartida, o “DNA ancestral colaborativo latino-americano e algumas cosmovisões como o ‘Buen Vivir’ convivem com as dinâmicas tecnopolíticas, a cultura de rede e o hacktivismo” e tentam reorientar o sentido do que seria uma agenda “progressista” para a América Latina, diz o jornalista Bernardo Gutiérrez no site da IHU On-Line.

Na entrevista – concedida por e-mail -, Gutiérrez frisa que “mecanismos orientados ao bem comum como a minga kichua, o tequio náhuatl mexicano ou o ayni aymara da Bolívia renascem na era da rede” e é neles que é possível enxergar “o grande potencial narrativo e organizacional da América Latina”.

Gutiérrez participou de uma série de coberturas jornalísticas acompanhando os governos progressistas latino-americanos e faz uma análise da condução política de alguns governantes, pontuando que neste momento “a esquerda latino-americana deveria estudar a decadência e os erros cometidos pelo PT” para “evitar o rumo neodesenvolvimentista do Brasil” e “ter claros os limites da inclusão pelo consumo sem direitos”. Para ele, o “ponto crucial” a ser perseguido pela esquerda latino-americana é a ecologia, já que os governos desenvolvimentistas das esquerdas “tiveram uma nula sensibilidade ambiental”.

(…)

Para os ativistas do Viola de Bolso, a opinião é que a Cultura(como direito político de cidadania) pode ser o ponto chave e crucial das lutas na América Latina, intensificando as ações de superação do colonialismo e dos pensamentos positivistas tão presentes nos governos desses países. No interior desse ativismo cultural, os territórios identitários e a ecologia teria grande centralidade, buscando ramificar gestos e alcances sociais na economia da reciprocidade. O Brasil teve a chance, com os governos Lula, de avançar nesse campo, ao criar o Programa Cultura Viva, que instituiu os Pontos de Cultura, os Pontos de Memória e os Pontos de Leitura, além de estimular outras tantas ações na área da cultura, valorizando os saberes e as comunidades culturais. Ao transformar o Programa em Lei Cultura Viva, o gesto foi de comprometer o estado com uma política pública dinâmica e viva, a partir da mobilização permanente dos sujeitos sociais e das redes de articulação e intercâmbio. Devendo observar que,  os movimentos culturais e sociais tem as suas ações autônomas, respeitadas as suas formas, diversidades, tempo e leituras históricas proprias. É que a cada governo que privilegia coalizões espúrias, tais políticas sofrem ameaças reais de serem extintas, em que pese as lutas de resistência continuarem.

Mas, voltando à entrevista, vale a pena ler na íntegra a análise no site da IHU.

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