Cultura tem futuro

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perguntando ou afirmando, lutamos no presente!

Um povo sem cultura,

somente poderá aspirar ao cimento armado

e ao último modelo de carro.”

{Raul Torres, em Criar Cuervos}

Fruto das primeiras reflexões nas duas reuniões de Avaliação e Planejamento do Viola{ a primeira foi dia 05/02 e a segunda dia 22/02}, definimos o eixo de atuação, o tema que nos motivará nas ações culturais em 2018: A Cultura tem futuro! O tema se enche de sentido na medida em que ampliamos o pensamento sobre a memória e o presente, sobre o trabalho, a construção do conhecimento, o encantamento, os mistérios do mundo, a infância, a velhice e o cotidiano de nossas vidas, nossa cultura. Mesmo tomados de consciência ativa que nos impõe {no bom sentido}a afirmação que a cultura tem futuro, devemos sempre perguntar, questionar, provocar, insistir que o outro diga, pergunte ou responda – A cultura tem futuro?

Mesmo aqui sabendo que o que vale mais é afirmar a diversidade das culturas, do que demorar inadvertidamente conceituando a ideia de futuro, o tema se faz relevante pela natureza inerente das sociedades atuais na capacidade que tem de se auto destruir, dilapidar patrimônios histórico-culturais, sucumbir espaços de futuro, realizar projetos desenvolvimentistas e ao mesmo tempo esquecer do seu passado de equívocos e banalidades, de destruição e pilhamento dos bens naturais, em nome do chamado desenvolvimento. Talvez daí a afirmativa que a história se repete, em farsa ou em tragédia, dada essa mazela do esquecimento de nossas sociedades.

Para nosotros, afirmamos a luta presente!

O tema eixo para o Viola de Bolso se enche de sentido quando abrimos a reflexão e percebemos que ele tem várias direções, dimensões e estruturas. Por exemplo, a reflexão dos ativistas do Viola de Bolso que atua com a meninada nas Rodas de Leitura, nas Artes visuais ou no Teatro lúdico, procuram afirmar a intencionalidade de suas vivências de aprendizado e ensinamentos, de diálogos e troca de experiências, próprios do cotidiano de nossas vidas, a nos colocar questões como:

Quais são os espaços de futuro?

A escola tem sido este espaço de futuro? A igreja é um espaço de futuro? O presídio, a Câmara de vereadores, a televisão, os museus, são espaços de futuro?

Quais são os sujeitos de futuro?

Os jovens e os seus índices de incertezas, violência, preconceito e negação de sua condição de jovem, são sujeitos de futuro?

As professoras e professores de hoje são sujeitos de futuro?

Os trabalhadores e seus dias de hora extras são sujeitos de futuro?

Quem e o quê são sequestradores de futuro?

A sacação é que, ao dizer a “Cultura tem futuro”, abrimos um leque de questões que nos remete ao modelo de sociedade que vivemos e ao que sonhamos, desejamos, a nossa utopia. Neste leque uma urgência que surge é colocar em todas as direções a Cultura e a cidadania.

E trazer á tona a questão para o debate: que entre a memória e o futuro, habita o presente. A consciência do presente é a Cultura e a Cidadania quem alicerça, quem dá a liga, para assim podermos falar de futuro, se preciso for. Perguntar ou afirmar se cultura tem futuro, nos traz diferentes riscos, o risco da dúvida ou da luta. A escolha vai depender da prática que temos realizado, que se tem em curso ou que se quer começar, do propósito, da crença, dos objetivos, que a vida merece seguir, indelevelmente.

Cultura é como democracia, quanto mais melhor.

Eunápolis, águas de março fechando o verão.

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