Somos um coletivo de ativistas na instituição cultural chamada Viola de Bolso Arte e memória cultural

O Viola de Bolso Arte e Memória Cultural é uma instituição cultural composta por diversos ativistas culturais, pesquisadores, militantes, artistas, que atuam a partir da crença que aluta das comunidades culturais identitárias, dos diferentes grupos sociais excluídos pelo sistema capitalista, tem a potencialidade criativa e de superação de muitos males que o mercado impõe. A atuação do

Viola de Bolso vem colaborando com os diversos grupos e coletivos culturais para a conquista de direitos de cidadania cultural.

O Viola de Bolso tem 33 anos de existência. Quando se autodeclarou em 1985, a ideia de futuro era musical, para em seguida ganhar corpo a militância político-cultural que marca até os dias hoje a ação cultural da instituição. Mas o seu espaço cultural vai completar 10 anos, encravado ali no bairro dr. Gusmão, em Eunápolis Bahia. O local atende a jovens estudantes, crianças em idade escolar das escolas municipais e adultos interessados em cultura, pesquisa, cidadania e mais democracia.

COMO FUNCIONA O ESPAÇO CULTURAL DO VIOLA DE BOLSO

O espaço cultural é aberto ao público em geral, toda a semana de segunda a sexta feira.

Entre estes dias acontecem também as Oficinas de artes ou as Vivências culturais, como denominamos os encontros e atividades que envolvem temas e reflexões sobre a cultura e os saberes locais. As Oficinas mais recorrentes são:

a) Oficina de música, com aulas teóricas e práticas.

b) Oficina de Artes Visuais, com aulas e dinâmicas criativas que envolvem a utilização de diversos materiais, desde as artes plásticas, até a utilização de materiais reutilizáveis.

c) Rodas de Leitura e Contação de histórias, como estímulo à leitura de livros, revistas em quadrinhos(HQ’s) e os aspectos lúdicos, místicos e formativos, próprios das narrativas do universo mitológico e cultural brasileiro.

d) Vivências Culturais, espaço de reflexão dirigida, com temas que variam desde o estudo sobre a memória histórica, a cultura local, até as políticas públicas de cultura no Brasil.

QUEM ATUA NESTAS OFICINAS

São os monitores, ativistas culturais, professores engajados no Viola de Bolso. Em geral, pessoas com formação em artes, história, música, antropologia, pedagogia. Mas principalmente, pessoas que atuam na troca de saberes, no diálogo entre as práticas culturais comunitárias, educadores populares, uma capoeirista, um mestre de tradição oral, uma contadora de histórias, uma professora de artes visuais, etc. Estas são as pessoas que compõem as praticas culturais do Viola de Bolso.

QUEM PODE PARTICIPAR

Todas as pessoas interessadas pode participar. Como dissemos acima, o espaço cultural é aberto a todos, cada pessoa podendo escolher a sua Oficina, de acordo a idade e o interesse, bastando que tenha de fato uma presença de contribuição e participação constante.

COMO AJUDAR AO VIOLA DE BOLSO

É fácil, basta ter a vontade de se inserir no projeto de ação cultural do Viola, ler os seus materiais informativos que conta a sua história, observar as atividades, escolher, sugerir, ter uma presença constante, opinar, criar e vivenciar o dia a dia das lutas, dificuldades e esperanças que são enfrentados ali. É sem dúvida um aprendizado.

A ajuda pode vir também na forma de doações: materiais de artes, livros, materiais de consumo, etc.

Agora se for doação em dinheiro, é preciso uma conversa pessoalmente, para que fique claro os objetivos e a destinação daquela ajuda.

QUEM FINANCIA O VIOLA DE BOLSO

Atualmente o Viola de Bolso é mantido pelos seus ativistas. Não existe um financiamento, um dinheiro que garanta todo o ano a ação política cultural do Viola. Isso não quer dizer que não buscamos. Buscamos sim, a ajuda financeira, mas é muito difícil aliar o reconhecimento do trabalho realizado com uma instituição, empresa ou alguém que faça este gesto de apoio direto, com dinheiro.

Buscamos apoios através de editais de projetos. Buscamos apoio através de convênios de cooperação(com a prefeitura por exemplo), mas é difícil obter tais ajudas, sem levar em consideração os princípios da autonomia, da crítica e da ação libertária que o Viola de Bolso se propõe. Por isso na atualidade fazemos uma ginga de capoeirista, um equilíbrio na corda bamba para manter a atuação. E assim vamos resistindo….

A CULTURA COMO UM DIREITO

Essa é a nossa verdade, acreditamos nisso, porque assim diz a lei brasileira. Ou seja, assim como a Educação, a Saúde, a Assistência Social, a Cultura também é uma obrigação que o estado brasileiro tem em implementar e fazer valer que seja garantido a todos os cidadãos.

Assim como o Sistema Nacional de Saúde(SUS), já existe no Brasil o Sistema Nacional de Cultura(SNC), mas que ainda não é respeitado nem posto efetivamente me prática, pois isso depende muito das prefeituras locais, entenderem, aceitarem, criarem os seus sistemas municipais de cultura e fazerem funcionar, dando apoio, financiando as artes e a toda expressão cultural da cidade.

Por isso, quando a gente diz que não recebemos nenhum apoio da prefeitura, isso não nos orgulha não. Ao contrário, isso faz com que tenhamos a consciência que ainda será preciso muita luta para que a cultura seja reconhecida como um direito

HÁ TEMPOS SOMOS PONTO DE CULTURA

Mas somente em 2008 o estado brasileiro reconheceu o Viola de Bolso como um Ponto de Cultura, quando acessamos a financiamentos público para a cultura, através de Edital de seleção de projetos culturais. Em que pese as diversas críticas ao papel do estado na cultura, é muito importante o reconhecimento que o estado(governos estaduais, prefeituras, o parlamento, etc) tem que ter perante os grupos, coletivos e instituições culturais, apoiando-os e garantindo os direitos culturais. Na Bahia o Programa de Pontos de Cultura começou em 2008, no segundo mandato do governo Jaques Wagner e apoiou 150 entidades culturais, dentre elas, o Viola de Bolso. O projeto iniciou em 2009 e durou 03 anos(até 2012).