Pela cultura e pela soberania popular. E Fantoches contra o sistema!
Nicolas deixa o corpo fluir, grita um som grave e depois um som agudo, chamando a turma a concentra-se na função.
Sebastian dedilha no atabaque um ritmo marcado pelo corpo do grupo, da turma vocacionada a artista fantochero, sob a inspiração de mestres da América Latina.
Eis a condução caliente da oficina de fantoches no Ponto de Cultura do Viola de Bolso.
É inadmissível nos dias de hoje um homem sonhar – dizem os mandatários do sistema. Mais inadmissível ainda um fantoche sonhar, trilhar uma história e mudar o curso dos acontecimentos no palco. É anti-sistêmico, é revolucionário e preciso, para que o fantochero viva sorrindo e mandando “catar lata” o poder dominante; para que o fantoche paralise o expectador, o público supostamente vivo, triste e momentaneamente alegre.
Fantochero é um ofício que remonta séculos, um desafio nos dias de hoje. O Teatro de bonecos aglutina crianças e adultos e recria imaginários lúdicos, lutas impossíveis, abraços suaves, movimentos ligeiros em espaços tridimensionais, 3d´s, como se diz atualmente.
Aliás imagem em 3d é que atrai o público ultimamente, porque a ligeireza do dia exige pressa e você tem que olhar o avião passando, o trem correndo, a pedra rolando, os pingos de chuva caindo, o carro de lixo chegando. Isso no cinema.
Que na vida real nos surge o boneco dizendo que roubar flores para a amada é muito mais que amar. É fazer da vida o que ela é: um risco sempre.
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