Pontos de Cultura da Bahia

Existem Pontos no fim do túnel

Após ter vivenciado tão boa experiência de articulação e mobilização cultural entre os anos 2010 a 2013, participando e compartilhando saberes e esperanças, na Comissão estadual de Pontos de Cultura da Bahia, aprendendo tantas coisas com companheiros de diferentes territórios de identidade da Bahia, fico me perguntando:

– O que aconteceu com aquele movimento intenso, em que os Pontos de Cultura – como um movimento político livre e sincero, diverso, democrático e revolucionário -, eram a expressão enriquecedora que trazia o encantamento e a beleza de que a gente conhecia lá nas comunidades e que agora, o estado brasileiro(no nosso caso, o governo da Bahia), passava a nos ouvir a reconhecer o valor e os direitos que temos. O que aconteceu, que paralisou tudo?

Podemos citar o contexto anterior que culminou com o golpe contra Dilma Roussef em 2016; podemos dizer o que fez o transitório governo Temer, ao acabar com o MinC e a relegar a política de cultura ao limbo; podemos também lamentar profundamente o mal exercido pelo fascista em seu governo obscuro, desde 2018 e junto a ele, a tragédia da Pandemia da Covid 19, mas nada desses males explica o silêncio e o ostracismo do movimento dos Pontos de Cultura na Bahia.

É certo que o governo estadual buscou neutralizar a atuação do movimento e foi, paulatinamente, fechando o diálogo, enquanto anunciava a intenção de aumentar o reconhecimento de outros tantos Pontos de Cultura, mas no fundo, exercia função seletiva e administrava uma relação que não mais acreditava. Muito embora tenha elevado a categoria de outros Pontos de Cultura, certificando-os em seu departamento de política e cidadania cultural, a Secult Bahia, ao listra/selecionar os demais Pontos de Cultura, parecia dizer: – Tome aí o Certificado e se vira!

Ao espalhar certificados, dispersou o movimento, diluiu o que restava de atuação em rede, enfraqueceu quem ainda estava lutando, quem ainda falava em Cultura Viva, brandando com a sua voz, sobre a importância dessa articulação e por fim, a Secult Bahia dormiu na sombra do outro.

E os companheiros que pareciam ainda resistir, quedava isolados em seus Pontos de Cultura, enquanto o movimento em rede, nem em rede virtual se sustentou. Acabou.

Nem as Lei Aldir Blanc naquele primeiro momento da Pandemia, nem agora a Lei Paulo Gustavo, deu conta de levantar a moral do movimento dos Pontos de Cultura na Bahia.

Pontos de Cultura ensimesmados, uns por nem saberem direito o que representa essa força criativa que todos tem, outros porque nem querem sair de seu conforto territorial, outros porque cansaram e, até alguns, porque receberam recursos, pagaram dívidas e ficou por isso mesmo, continua a sua luta local, sem desejar participar dessa tal de rede.

Recortes históricos à parte, sinto que, desde 2015 por ali, o movimento dos Pontos de Cultura entrou em um túnel escuro que ainda não vê saída. Ou vê?

Será pessimismo de nossa parte? Se for, perdoa e nos apresente a alegria, a diversidade e a articulação em rede dos Pontos de Cultura da Bahia.

Estaremos lá, no fim do túnel, esperando o movimento.


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