Tag: Poesia

  • Palavras, sementes

    Palavras, sementes

    Catar Feijão Catar feijão se limita com escrever: Jogam-se os grãos na água do alguidar E as palavras na da folha de papel; e depois, joga-se fora o que boiar. Certo, toda palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo; pois catar esse feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco,…

  • Da idade do tempo

    Da idade do tempo

    Da Idade do tempo Estou no ventre do tempo. Se o tempo pare, eu ventre. Se o tempo anda, eu pairo. Se o tempo pára, eu vento. No tempo eu me contento. Não me importa se o tempo anda demais apressado. Estou sempre no presente, sem paixão pelo futuro, sem briga com o passado. Estou…

  • Verso Implume

    Finito e Infinito Entre as folhas do outonoe a infinita linha do oceanocumpre-nos escalar montanhasdecifrar inscrições rupestresdesmontar o teorema, captarsua argúcia de mestre.E, inabaláveis, posto que lúcidos,no finito da carne o agudo vérticesuavizar, e o ardor insano.Entre as folhas do outonoe a sombra dos ciprestes. * Maria Thereza Noronha em livro “O verso Implume, 2005.–…

  • Cotidiano

    No primeiro dia ela levanta cedoe esmerila sua esperança na escola.No segundo dia ela lava louçascomo quem lava a escadaria da igreja.No terceiro dia ela organiza a casaEm sociedades mistas que as coisas exigem.Os outros dias, ela passa sonhando viajar.E descobre que nunca saiu daquela vila onde sempre morou.A vila rodeada pela grande metrópole do…

  • Territórios de nós mesmos

    A imagem toca o chão.Em muitos terreiros invisíveis a cultura ganha forçaEm muitos locais abertos o canto ressoa longeEm muitas rodas de viola os ouvidos se aguçamEm muitos corpos livres, as cores dançam a leveza.A imagem é real.O chão é real.O Terreiro é real.A esperança ganha a autonomia do voo mais alto, Na medida em…

  • Setembro primaveril

    Eis Setembro,que vem de mansinho…Tomado de repetina alegria,O poeta tenta repetir a música do passarinho.E surpreso fica, como quem perdeu na natureza, O ninho.